Revolução. Nada é mais como era há apenas um minuto – transformações contínuas. Touro, signo da terra. A necessidade pelo estável, sólido, concreto é inerente e por isso, a dor é companheira da mudança.
Nesse novo caminho perdi muitas coisas. Perdi mais do que ganhei, mas não me arrependo de nada. Não digo que estou feliz, mas satisfeita. Me livrei dos meus velhos demônios e já estou à espera do próximo caos. Uns dizem que houve fuga, subterfúgios. Não acredito. Para ser vencida, uma batalha não precisa de sangue e corpos ao chão. Não houve ataques, não houve confronto. Apenas as mágoas veladas que já pairavam na atmosfera há algum tempo. Recuei as tropas, fiz a contagem dos homens perdidos; estou de luto esperando que o tempo faça o seu trabalho e cicatrize as feridas. Do corpo e da alma.
É verdade que sentirei falta dos tempos de luz, das brincadeiras, das risadas, do amor. É claro que sentirei. É humano. Mas seria muita pretensão tentar (novamente) recriar tudo. Não existe mais espaço. Cada um traçou seu caminho e esse é o meu. E, por mais que deseje o contrário, sempre soube que meu caminho seria solitário e sombrio, construído apenas de lembranças. É hora de encarar os fatos e aceitá-los. Não posso deixar a dor que me consome consumir os que amo (e eternamente vou amar). É esse meu motivo, o principal e o único motivo. Não acreditem nos ventos que soprarem outras melodias. Não guardo mágoas, simplesmente não posso mais continuar aqui.
(Texto de Outubro/2009 originalmente publicado em weekendkid.com.br)
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