26 novembro, 2010

Vontade de escrever não passa

Sei que li, não sei onde, um alguém que sabiamente escreveu que vontade de escrever não passa. Nem de ler. Nem de saber. O encanto da palavra me envolve, me aquece, me conforta; depois me apavora. Me apavora porque ao mesmo tempo que a paixão arde no peito, tenho medo das consequencias. Tenho medo de palavras, das minhas palavras. Da revelação que elas podem trazer.
Mas vontade de escrever não passa – e é por isso que voltei.

Outra pessoa sábia (dessa me lembro bem), vez me disse que problema não foi feito pra resolver. Que a pedra no sapato dói, machuca, incomoda. Mas o alívio de tirar ela dali não é maior que a saudade da danada apertando o pé; ferindo a pele e se fazendo presente a cada instante. Criei amor a minha pedra e dela não largo mais. Afinal de contas, pra onde mais posso fugir?
Sou taurina, ciumentíssima. Ai de quem quiser tirar a minha pedra do sapato. Resolver meus problemas pra mim? Quem é você pra mexer nas minhas gavetas, revelar meus segredos, jogar fora minhas angústias? A pedra é minha, o problema é meu – e de mais ninguém. Ouviu? PROBLEMA MEU – que eu já me apeguei e não quero resolver.
Mas não é por todo esse apego que ele não machuca, não arde, não dói. Aquele aperto no peito não passa. É como aquela história de amor que acabou e ficou pra trás. A chama fica sempre acesa, mesmo que sob a máscara de outro sentimento.
Me resta saber cuidar direitinho da pedra. Fazer com que sejamos amigas e não rivais. Que a relação seja saudável e equilibrada. Eu não posso tomar contas dos meus problemas nem deixar eles tomarem conta de mim.

Tá vendo, Thiago? Aprendi direitinho.

Um comentário:

Thiago disse...

tô gostando de ver!!